Davila Arquitetura
_Pós-pandemia
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Localização / Data: 01/04/2020 Área construida Não disponível Área do terreno Não disponível

Conclusão: 01/07/2020 Estágio da Obra: Não iniciada Nº de unidades: Nº de blocos / torres:

O afastamento social forçado pela pandemia da COVID-19 também nos aproximou de nossas próprias casas, familiares e companheiros de morada. Então nos perguntamos: como os espaços residenciais poderiam ser rearticulados de maneira a favorecer nossos novos hábitos, especialmente os de higiene e limpeza? Para explorar estas questões, pensamos em algumas diretrizes básicas e desenvolvemos um protótipo residencial compatível com estas diretrizes.

PREMISSAS
Pensamos em três premissas básicas para os novos projetos residenciais pós-pandemia. Entendemos que estas diretrizes atendem às principais demandas que percebemos como importantes neste novo contexto e além: SAÚDE & BEM -ESTAR; HIGIENE e TRABALHO EM CASA.
A primeira das três diretrizes básicas que imaginamos é SAÚDE & BEM-ESTAR. Unidos, estes conceitos abrangem a integridade física, psicológica e espiritual dos moradores e eventuais visitantes. Também focam na satisfação de se estar em um espaço confortável, onde é possível permanecer muito tempo de forma agradável. Em linhas gerais, a proposta é trazer muita luz e ventilação natural; incorporar vegetação, incluindo possíveis espaços abertos; definir espaços de socialização, descanso, meditação, lazer e entretenimento.
A segunda diretriz básica que sugerimos para os projetos arquitetônicos das residências pós-pandemia é a HIGIENE. Esta premissa visa estabelecer recursos para que os moradores e visitantes possam realizar uma higiene pessoal adequada, antes de acessarem a área íntima da residência, assim como a assepsia de objetos trazidos da rua. Inclui a definição de espaços adequados para a transição entre o espaço público e privado; a instalação de recursos para desinfecção corporal, bem como a limpeza ou estocagem (‘quarentena’) de itens como compras e vestuário.
Finalmente, a terceira diretriz que idealizamos para os projetos das residências pós-pandemia é o TRABALHO (EM CASA). O ‘work at home’ já é uma tendência há alguns anos e com a necessidade do afastamento social, as empresas com trabalho de escritório têm optado por este modelo. Esta premissa ressalta a importância de espaços adequados para desenvolver a atividade profissional, em casa. Em geral, isto envolve pensar em privacidade (entre vários moradores trabalhando); conforto e ergonomia (incluindo ventilação, iluminação e comunicação); organizar o eventual acesso de visitantes profissionais e, se possível, definir espaços flexíveis que possam ser aproveitados também fora do horário de trabalho.

O PROTÓTIPO
A partir das três premissas básicas que definimos para uma residência pós-pandemia, desenvolvemos um protótipo. Para este exercício, focamos em um apartamento com 3 suítes, voltado a uma família de classe média/média alta. A seguir, apresentamos cada um dos ambientes que imaginamos.

MULTIHALL. Uma evolução dos antigos vestíbulos, o Multihall tem o importante papel de organizar os fluxos de entrada e saída do apartamento, provendo acessos independentes à área social, área de serviço, escritório e até um banho completo. O Multihall também inclui um nicho decorativo e outro, ocultado por porta deslizante, que abriga pia, prateleiras e outros itens voltados à higiene de mãos, bem como da assepsia e armazenagem de vestuário e de produtos trazidos da rua.

SALA DE BEM-ESTAR. A antiga sala de visitas tem evoluído para um espaço mais versátil, de conceito aberto, mas que admite múltiplas funções. A nova sala reúne alternativas para socialização, relaxamento e meditação, entretenimento e alimentação, através da integração com a copa e a cozinha. A chave para favorecer longas permanências em casa é muita iluminação e ventilação naturais, além de bastante verde, dentro da tendência ‘urban jungle’. Assim, o verde da varanda se mescla com o da sala, para a qual transborda, criando uma ambiência bastante agradável. Assim, não basta ‘estar’ na sala, é necessário ficarmos ‘bem’ nela.

ESCRIDORME. A ideia deste ambiente é resgatar os escritórios dos apartamentos mais espaçosos, populares até a década de 1990. Isto porque, com a alta na demanda pelo ‘work at home’, ficou mais evidente a necessidade de espaços dedicados ao trabalho em casa. Um diferencial é que o Escridorme é uma suíte avançada, destacada das outras duas deste apartamento modelo. Seu banheiro também atende ao Multihall, como apoio extra à higienização de quem chega em casa. Como suíte, pode bem servir a adolescentes e a adultos maduros, com a vantagem do acesso independente, através do Multihall. Como escritório, admite até mesmo visitas comerciais, sem ‘invasão’ à área íntima da casa. Além disso, oferece conforto para trabalhar e até dormir no mesmo local, com integração à varanda e ao conceito ‘urban jungle’.

CONCLUSÃO
Talvez seja prematuro imaginar em que escala uma pandemia como a que ora enfrentamos afetará em caráter permanente o nosso modo de vida. Da mesma forma, é difícil afirmar os reflexos que este contexto produzirá na arquitetura. Não obstante, nosso propósito foi colaborar com a discussão, através da apresentação de premissas e soluções práticas para um projeto residencial, na forma de um exercício. Esperamos ter muitas outras ideias, afinal, a arquitetura é nossa paixão e nos esforçamos para que ela evolua sempre. Contamos que outros profissionais também façam suas propostas e as compartilhem, de forma que toda nossa sociedade saia ganhando.

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